Ela não aparece no cargo. Não aparece no currículo. Não aparece nem mesmo no post sobre produtividade.
Mas aparece no olhar cansado. Na agenda cheia de lembretes. Na reunião remarcada por um imprevisto. Na academia encaixada em horário comercial, porque à noite a prioridade é outra.
Na necessidade de flexibilidade. Na forma como cada hora do dia passa a ter outro valor.
Como gestora de coworking e mãe, vivo diariamente o cuidado com o outro.
Cuidado com o espaço, com os clientes, com as relações, com as rotinas e com os pequenos sinais que mostram como as pessoas estão de verdade.
Sempre tive facilidade para lidar com pessoas, mas a maternidade ampliou esse olhar.
Hoje me percebo mais empática, mais atenta, mais resiliente e muito mais multidisciplinar. Também passei a fazer muito mais coisas do que fazia antes.
Não me ocupo mais com atividades desnecessárias. Pelo contrário: aprendi a avaliar melhor o que realmente precisa ser feito, o que pode esperar e o que pode ser delegado.
E vou te contar um segredo: ainda assim, muitas vezes me sinto menos produtiva.
Talvez porque a produtividade, depois da maternidade, precisa ser medida de outro jeito.
Uma mãe começa o dia antes do expediente. Organiza a casa, prepara o filho, leva para a escola, trabalha, resolve imprevistos, busca, cuida, acolhe, acompanha, tenta estar presente e ainda procura algum espaço para si.
E aqui não ignoro a importância dos pais e dos parceiros presentes. Na minha casa, tenho muito companheirismo e parceria. Mas existe uma carga mental e emocional que, culturalmente, ainda recai de forma mais intensa sobre muitas mães.
Isso não costuma aparecer nas redes profissionais, mas impacta diretamente a forma como trabalhamos, decidimos, lideramos e nos relacionamos. E, na minha experiência, muitas vezes impacta para melhor
Talvez por isso eu valorize cada vez mais ambientes de trabalho que entendem que profissionais são pessoas completas.
Pessoas que têm filhos, pais idosos, consultas médicas, desafios pessoais, sonhos, preocupações e responsabilidades que não ficam do lado de fora da porta quando o expediente começa.
Durante muito tempo ouvimos que era preciso separar a vida pessoal da profissional.
Mas a verdade é que essa separação nunca realmente existiu.
Quando chegamos ao trabalho, trazemos junto nossas vivências, nossos afetos, nossas preocupações e tudo aquilo que faz parte da nossa realidade.
E quanto mais os ambientes compreendem isso, mais humanos, acolhedores e produtivos eles se tornam.
O tempo não é só dinheiro.
Tempo é presença.
É saúde.
É vínculo.
É descanso.
É vida.
E produtividade nenhuma deveria ser medida ignorando tudo aquilo que uma pessoa sustenta para conseguir estar ali.
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